Ômega 3: conheça os benefícios no tratamento do Autismo

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como autismo, é um termo que caracteriza uma condição neurodesenvolvimental que atinge o funcionamento do cérebro, podendo causar desordens comportamentais normalmente apresentadas nos primeiros anos de vida da pessoa. (1)
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O Transtorno do Espectro Autista (TEA), mais conhecido como autismo, é um termo que caracteriza uma condição neurodesenvolvimental que atinge o funcionamento do cérebro, podendo causar desordens comportamentais normalmente apresentadas nos primeiros anos de vida da pessoa. (1)

Durante muitos anos, o autismo foi considerado raro, ocorrendo 1 a cada 10.000 crianças, porém, atualmente, a OMS (Organização Mundial de Saúde) calcula que ele afeta 1 em cada 160 crianças em todo o mundo. (1)

Na publicação de hoje, explicaremos como o DHA (principal composto do ômega 3) pode beneficiar o tratamento de pessoas com autismo. Vamos lá?

Mais informações sobre o Autismo

Por afetar o neurodesenvolvimento, o TEA pode causar graves comprometimentos na socialização, comunicação e comportamentos de quem sofre com esse transtorno.

A denominação “autista” foi utilizado pela primeira vez pelo psiquiatra suíço EugenBleulerem 1908 para descrever uma doença caracterizada pelo isolamento social de seus pacientes. (2)

Apesar de desconhecida, acredita-se que a causa seja multifatorial e influenciada por fatores genéticos e ambientais, com alterações imunes e deficiência de conexão sináptica no início da vida. (2,3)

De acordo com dados dos Centros de Controle de Doenças, o autismo afeta 1 em cada 58 indivíduos com menos de 21 anos que vivem nos EUA, ou seja, um aumento de 15% se comparado à taxa anterior, que era de 1 em 68. Além disso, estudos mostram que o autismo ocorre 4x mais em meninos do que em meninas. (3)

Lesões ou alterações que possam ocorrer no pré e pós-natal, privação ou problema nutricional, disfunção mitocondrial, estresse oxidativo, doenças gastrointestinais e disfunção imunológica, de acordo com evidências científicas, podem ter participação no desenvolvimento de Transtorno do Expectro Autista (TEA). (2)

Ainda associando o transtorno à nutrição, estudos relatam que o microbioma intestinal tem desempenhado um importante papel em atividades relacionadas ao intestino e ao sistema nervoso. Sendo assim, o intestino provavelmente está envolvido no desenvolvimento de diversas desordens do sistema nervoso central, o que inclui o TEA. (3)

Fatores como ambiente, medicamentos, prática de exercícios, tipo de parto, comportamentos cognitivos e sociais, estresse, medo e ingestão de alimentos, demonstraram efeito modulador no cérebro e na microbiota. (3)

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Nutrição e ômega 3 no tratamento do Autismo

Como adiantamos, pessoas com TEA podem apresentar problemas de saúde gastrointestinal. Isso inclui problemas de motilidade intestinal, autoimunes e/ou outras respostas a certos alimentos e falta de absorção de nutrientes. (3)

A literatura científica já identificou três aspectos mais frequentes no dia a dia alimentar da criança com TEA: seletividade, recusa e indisciplina alimentar. A ingestão calórica deficiente e repetitiva é motivo de preocupação, já que a ingestão de micronutrientes está relacionada com a ingestão de energia. (2)

Acredita-se que o aumento da incidência do autismo se deve, em partes, ao diagnóstico mais preciso do transtorno e, provavelmente, a alteração do tipo de dieta em que há um aumento do consumo de alimentos processados, industrializados e ácidos graxos saturados, além do aumento na proporção da relação entre ômega 6 e ômega 3. (2)

Por isso, a intervenção nutricional é um dos tratamentos que auxiliam na melhora dos sintomas comportamentais no TEA. Normalmente, as deficiências nutricionais mais comuns nesses transtornos são de ômega-3, vitaminas do complexo B, minerais e aminoácidos, que são essenciais na formação de neurotransmissores e responsáveis pelo equilíbrio no sistema nervoso central. Pesquisas científicas indicam que a ingestão adequada de ômega 3 está relacionada com a melhora da qualidade de vida desses indivíduos. (1,3)

O DHA (ácido decosahexaenoico) e o EPA (ácido eicosapentaenoico) são os principais compostos do ômega 3. O DHA, se incorporado às membranas celulares dos neurônios, pode auxiliar na ligação de neurotransmissores aos seus receptores, o que pode resultar na diminuição da inflamação e inibição de citocinas pró-inflamatórias. Já o EPA pode aumentar o suprimento de oxigênio e glicose para o cérebro, protegendo-o contra o estresse oxidativo. (1)

A ingestão do ômega 3 relacionado com o TEA pode trazer resultados positivos no comportamento e na saúde geral desses indivíduos, pois esse nutriente é fundamental para:(1)

–  a maturação da rede cerebral;

– manter a transmissão dos impulsos nervosos nas membranas células, melhorando respostas neurológicas;

– atuar como mediador inflamatório;

– melhorar a estabilização do humor;

– reduzir inflamações;

– auxiliar na sobrevivência neuronal.

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O que os estudos sobre a interferência da suplementação de ômega 3 em crianças com autismo mostraram:(1)

– Bent et al (2014 apud AZEVEDO; DIAS, 2019, p. 17):

Um ensaio piloto randomizado controlado com 57 crianças autistas mostrou que crianças suplementadas com ômega 3 tiveram maior média de melhora da hiperatividade em comparação com o grupo tratado com placebo.

– Parellada et al (2017 apud AZEVEDO; DIAS, 2019, p. 17):

Um ensaio clínico randomizado, cruzado, controlado por placebo em 68 crianças e adolescentes mostrou que o tratamento com ômega 3 (962 mg/dia para crianças e 1.155 mg/dia para adolescentes) melhorou a relação ômega 3 e 6 nas membranas dos eritrócitos e melhorou significativamente as pontuações das subescalas de motivação social e comunicação social.

– Sheppard et al (2018 apud AZEVEDO; DIAS, 2019, p. 17):

Estudo clínico randomizado com 27 crianças, suplementadas com 338 mg de EPA, 225 mg de DHA e 280 mg de ômega-6,mostrou que crianças suplementadas com ômega 3 e 6 por 3 meses aumentaram significativamente o uso de gestos e palavras a mais do que as crianças que receberam o suplemento de óleo placebo.

– Adams et al (2018 apud AZEVEDO; DIAS, 2019, p. 17):

Estudo randomizado controlado com 67 crianças autistas, sendo 37 delas suplementadas com 609 mg de ômega-3 (sendo 425 mg de EPA e 110 mg de DHA), 198 mg de ômega 6 e 15 mg de ômega 9, observou no grupo suplementado melhorias significativamente maiores do que no grupo tratado com placebo nos sintomas relacionados ao autismo, na hiperatividade e linguagem receptiva.

Para saber a quantidade necessária da ingestão de ômega 3 e quando é necessário incluir a suplementação, é essencial o acompanhamento de profissionais especializados nesta área.

Se a suplementação for indicada, nossa dica para que você escolha um bom produto é:

– avaliar se tem altas concentrações de ômega 3;

– se é livre de metais tóxicos;

– se possui garantia de pureza;

– se contém vitamina E na sua composição (ela é antioxidante e ajuda a manter a qualidade do óleo).

Além disso, dê preferência para produtos feitos pelo método de prensagem a frio.

Se quiser entender mais sobre esse tipo de extração dos óleos, confira esse texto: https://vitalblog-dev.actionlabs.com.br/como-escolher-um-oleo-de-qualidade-a-diferenca-pode-estar-na-prensagem-a-frio/

FONTES:
  1. AZEVEDO, Estela de Oliveira; DIAS, Daniela de A. Medeiros. Efeito do ômega-3 no perfil cognitivo de crianças diagnosticadas com transtorno do espectro autista: uma revisão da literatura. Rev. Bra. Nutr. Func. V. 45, 2019.
  1. BALBONI, Maria Clara Hutsch. Impacto da suplementação de ácidos graxos ômega-3 nos transtornos do espectro autista. São Paulo, 2016. Disponível em <https://repositorio.usp.br/bitstreams/42576c85-e830-4390-9a12-3436379f44e9>. Acesso em 08 set. 2020.
  1. GOMES, Ticiane A. Da Silveira. Modulação nutricional no transtorno do espectro autista – um estudo de caso. Rev. Bra. Nutr. Func. V. 46, 2020.

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